Antes de começarmos, por questões de responsabilidade e relacionamento com os leitores, faz-se necessária a inclusão de uma importante nota.
IMPORTANTE NOTA: Este é um espaço de reflexão. O próprio fato de se tratar de um artigo livre indica que o assunto não passou pelo crivo de extensas pesquisas repletas de embasamentos científicos. Trata-se, tão somente, de opinião. As empresas são diferentes e as situações são diferentes. Portanto, se amanhã ou depois seu currículo for tão ousado a ponto de você mais perder oportunidades que conquistá-las, não venha reclamar comigo.
Agora, podemos começar.
Já ouviu falar de “apagão da mão de obra”? Trata-se da situação onde existe trabalho a ser feito mas não existe quem o faça – digo, quem o faça satisfatoriamente.
Nosso país, devido ao crescimento dos últimos anos e à deficiência na educação dos últimos séculos, vive essa fase. Todos precisam de profissionais – e o mercado de TI não é diferente – mas parece não haver gente competente o suficiente para suprir essa demanda (ou os competentes estariam escondidos por falta de ousadia?).
Na empresa onde trabalho, certa vez precisei lidar com uma situação de apagão como essa, mas por outras razões que podem ser resumidas no seguinte diagnóstico: saiu todo mundo.
Certo, não saiu tooodo mundo (eu fiquei, veja só, quanto carinho pela corporação), mas pessoas saíram em número significativo e, o que é pior, de súbito. Minha missão era a de encontrar bons profissionais em meio aos “pós-graduados em Office e Internet”.
Obs.: Se não entendeu a piadinha acima, leia o artigo anterior. Se entendeu, mas achou fraquinha, tudo bem, você está no seu direito. Não foi lá grande coisa mesmo.
Eis que surge um candidato, cujo nome será omitido para, eventualmente, no futuro, podermos dar risada sem sermos processados. Falante, simpático, como se já conhecesse todos os funcionários da empresa – um excelente início, visto que a vaga era de suporte aos clientes e esse nível de entrosamento era bastante desejável à função.
Como no currículo do aspira havia menção a um bom nível de inglês, em dado momento da entrevista perguntei-lhe se ele acreditava que poderíamos continuar a conversa neste idioma. Ele topou, não sem um certo nervosismo aparente, e iniciou, a meu pedido, um breve relato sobre quem ele era (onde nasceu, escolas que estudou, o que fez na vida etc.).
Confissão: o “nervosismo aparente” era meu também, porque meu inglês não é the best thing in the world e, naquele momento, eu não tinha certeza nem se eu mesmo seria capaz de conduzir a entrevista em inglês. Mas não importa. Essa é aquela parte onde um pouco de ousadia não faz mal. E, também, meu pedido objetivava que ele falasse o tempo todo, não eu. Ousadia, sim, mas com um pouquinho de esperteza…
O desempenho do aspira após aceitar meu truco linguístico foi tão interessante que ele foi contratado imediatamente (lembrar agora que estávamos desesperados por profissionais seria muita maldade e tiraria boa parte do mérito do candidato).
Detalhe: não precisávamos nem um pouco de inglês para a função pretendida. Mas a desenvoltura dele em outra língua me fez imaginar o que ele seria capaz de fazer em português, e a pronta aceitação do desafio na entrevista me fez supor que uma postura semelhante adviria quando dos desafios do dia a dia.
Mas, e se eu não tivesse perguntado? Teria sido criada a chance de o candidato brilhar como brilhou? Talvez não. E é por isso que um pouco de intuição me ajuda bastante na atividade de recrutador. Mas sabe o que me ajudaria mais ainda? Um pouco de ousadia.
Imagine qual não seria o meu entusiasmo, ainda na fase de seleção dos currículos para entrevista, caso eu encontrasse, em vez do cansado “inglês avançado”, algo assim: “We can conduct the job interview in English, if you like.”.
Eu bem que gostaria de ver tamanha ousadia pois, para mim, onde sobra ousadia, costuma sobrar competência.
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